Erasmus em Fisioterapia - Carla Faria

Tópicos em 'Na zona de...' iniciados por FisioZone, 12 Apr 2015.

  1. FisioZone

    FisioZone Administrador

    Sou estudante do 3º ano da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra e neste momento encontro-me a fazer Erasmus em Riga, Letónia, na “Riga Stradins University” (RSU). Porquê a Letónia? De entre todas as opções disponíveis sempre pareceu a melhor oferta e a mais aventureira.

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    Sempre gostei de viajar, conhecer novos lugares, culturas, pessoas, mentalidades, hábitos e aventurar-me 3 meses num país completamente diferente do meu pareceu-me o melhor caminho a seguir.

    O sistema de ensino é muito diferente em Riga. Muito mais prática clínica, visto que os alunos têm as aulas práticas nos hospitais e podem abordar as diferentes patologias à medida que tenham contacto com os doentes e acompanhem o seu processo.

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    Eu estou a fazer Erasmus em plano de estágio, ou seja, 3 meses divididos por 3 hospitais distintos.

    O primeiro local de estágio foi o Hospital Traumatológico e Ortopédico, no qual tive a oportunidade de assistir a cirurgias e acompanhar os doentes logo após as mesmas. Neste primeiro estágio tive um maior contacto com a área músculo-esquelética, intervim no exame e tratamento de variadas patologias como rutura do ligamento cruzado anterior, fratura da cabeça do rádio, prótese da anca e dor lombar. Tive a oportunidade de acompanhar os doentes que falavam inglês o que facilitava a minha tarefa. Elaborei um trabalho sobre uma patologia músculo-esquelética ao meu critério de modo a aprofundar ainda mais o meu conhecimento.

    O segundo local em que estagiei foi o Hospital Universitário Pauls Stradins, este consistiu em 2 semanas de prática na área da cardio-respiratória e 2 semanas na área da neurologia. Neste estágio, acompanhada de outro estudante fazia uma visita ao doente que ainda se encontrava acamado e realizava exercícios de acordo com o tempo do pós-operatório. Por fim, neste último mês encontro-me a estagiar no Hospital Pediátrico em que se torna mais difícil atuar mais uma vez devido à língua, mas onde posso observar os diferentes métodos usados em crianças com paralisia cerebral, síndrome de Down, encefalopatia, distonia muscular, entre outras.

    Em todos os locais de estágio redigi protocolos acerca dos doentes, que engloba o exame subjetivo, objetivo e o plano de tratamento executado.

    Uma das grandes dificuldades que sinto é a nível da comunicação porque são poucos os doentes que falam inglês, principalmente os mais idosos ou as crianças. Os doentes falam Letão ou Russo e como não sou conhecedora de nenhuma dessas línguas andava acompanhada por um estudante Letão que traduzia para Inglês e facilitava a comunicação com os doentes. Estou a aprender bastante, novos métodos, diferentes maneiras de realizar a mesma técnica assim como os estudantes de cá também aprendem connosco. Acho que é importante para as duas partes portanto, todos deveriam ter a oportunidade de fazer Erasmus ou de acompanhar um estudante estrangeiro no nosso país.

    Na minha opinião Erasmus contribui para o nosso desenvolvimento pessoal, permite-nos crescer como indivíduos no seio de uma sociedade multicultural. Aprendemos a gerir o tempo, responsabilidades, despesas, prazos a cumprir, saudades e demais emoções. Viver num país tão marcado pela era Soviética em que as pessoas raramente esboçam um sorriso e dizem um bom dia, ou simplesmente pelo caso de não termos quem nos socorrer em situações difíceis, como a de avariar a janela e não ter ninguém disponível para a arranjar e deixarem-nos a dormir ao frio com os graus negativos que se faziam sentir é algo que nos faz sentir mais preparados.

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    Até o simples facto de só nos ser facultada a história clínica dos doentes em Letão, em que nem o Google tradutor consegue ajudar torna-se uma barreira que temos que ultrapassar. Algumas destas experiências podem não estar diretamente relacionadas com a Fisioterapia mas acredito que serão certamente as que me vão tornar melhor fisioterapeuta, com capacidade de lidar com as diferentes situações e dificuldades que forem surgindo.

    Podemos considerar esta experiência como um excelente investimento na nossa formação académica, intelectual e pessoal. Erasmus é uma fonte de enriquecimento académico, cultural, uma lição de vida na qual crescemos e tornamo-nos mais independentes. Até agora, sem dúvida, a minha melhor experiência académica!


    Carla Faria, ESTeSC.

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